DOSSIE COVID-19 - PARTE II - JORNADA POR ATENDIMENTO

A cidade de Piracicaba tem até a data de ontem, 12 de abril um total de 746 mortos, 42.600 confirmados com o vírus e cerca de 1.200 casos suspeitos, um número que poderia ser muito maior. Conforme apurado e relatado na parte I do Dossiê, muitos pacientes não têm tido acesso a testes devido à alta demanda nas unidades de atendimento.

Diante deste cenário apontado nesta quarta-feira (07) a prefeitura de Prefeitura de Piracicaba lança projeto que prevê testagem em massa e monitoramento, o chamado “Projeto Respirar" visa identificar pacientes com quadro leve e acompanhá-los para evitar complicações mais graves com a realização de testes em 51 unidades de saúde.  

O número exacerbado de casos, e até o momento demora na detecção da doença tem feito que famílias busquem atendimento em diferentes unidades e que muitas vezes tenham que voltar para a casa sem os encaminhamentos necessários.

Foi o caso de uma mulher vítima do Covid-19 que de acordo com a família buscou atendimento pela primeira vez no dia 24 de março, quarta-feira, na Unidade de Pronto Atendimento do Vila Cristina com muita dor no corpo, dores de cabeça e pontadas nos seios. No entanto segundo relatos chegando na unidade a vítima foi medicada e liberada para casa sem que fosse feito nenhum exame.

No segundo dia da busca por atendimento (25) quinta-feira, os familiares relatam que a mulher continuava com muitas dores e piorando mesmo com a medicação prescrita. Diante disso ela foi atendida novamente na UPA do Vila Cristina, e ao ser examinada teve o diagnóstico de suspeita de Covid-19 ou Dengue. A filha da mulher a acompanhava durante o atendimento e expõe que indagou a médica. “Então por favor façam os exames de covid, e dengue, pois minha mãe está com muitas dores e precisamos saber o motivo”.

Com isso a senhora teve o exame de dengue realizado na unidade, entretanto o exame de Covid-19 de acordo com os médicos não poderia ser feito na unidade, e novamente a mulher foi medicada e liberada. Já na sexta-feira, conforme informações do esposo da vítima ao retirar o resultado do exame de dengue foi verificado que o resultado negativo, mas constava uma infecção que seria urinária, consequentemente o caso teve a prescrição de antibióticos para o tratamento.

Mesmo com isso a mulher continuava a piorar, passando muito mal e com dores a família buscou ainda na sexta-feira (26) atendimento no Central de Ortopedia e Traumatologia (COT) que é a porta de entrada para os casos de Covid-19. Já atendida no COT de acordo com o esposo, a senhora foi examinada por um médico que prescreveu antibióticos e novamente não realizou nela o teste para constatar se ela estava com o novo Coronavírus.  Já no sábado a mulher pediu novamente para ser levada ao médico, agora conforme relatos de familiares ela já tinha como sintomas: tosse e secreções com sangue, além de momentos com muita falta de ar. 

Chegando novamente ao COT a família conta que esperou por horas pelo atendimento e ao passar pela triagem ela já está com a saturação muito baixa, e com a diabetes alterada acima de 200. Tanto que os relatos afirmar que os próprios responsáveis pelo atendimento ao perceber a gravidade solicitaram uma cadeira de rodas e a levaram imediatamente dentro. Os familiares informam que buscaram junto a equipe médica informações sobre o Estado de saúde e foram avisados que a saturação e a pressão dela estavam muito baixas, com isso uma pessoa da família passou a acompanhar o procedimento e esteve junto na realização do RAIO-X dos pulmões. Quando um dos familiares voltou para falar com a médica sobre o resultado da radiografia, a mesma informou que os pulmões da vítima já estavam comprometidos e que ela precisava ser internada urgentemente.

No dia seguinte os familiares retornaram em busca de notícias da vítima, e souberam que ela foi transferida para o UPA do Piracicamirim, o processo aconteceu de acordo com eles sem que nenhum atendimento fosse realizado. Diante disso a família se dirigiu até a unidade na qual foram informados que estavam avaliando a paciente e só iam entrar em contato com a família no dia seguinte, porém, infelizmente algumas horas depois entraram em contato com solicitando para que retornassem até o local da internação. Chegando lá de acordo com eles foram friamente informados que a vítima tinha ido a óbito.

A família da vítima indaga que ela faleceu por falta de socorro, por falta de um atendimento adequado, de acordo com eles foi buscado atendimento incansavelmente por cinco dias, e não foi feito, por exemplo, o teste de COVID-19, que só foi realizado às vésperas do óbito, e até o momento os familiares não tinham o resultado do teste para saber se poderiam dar a vítima um funeral ou não.

OCORRÊNCIA COM A GUARDA CIVIL

Segundo relato de uma testemunha, a Guarda Civil Municipal foi chamada para atender uma ocorrência no UPA do Piracicamirim, porém quando os policiais chegaram no local a ocorrência já estava em andamento, por isso o mesmo não pode dar um parecer do que realmente havia acontecido. A testemunha ouviu relato dos funcionários que a médica pediu para um GCM acompanhá-la para conversar com alguém da família da vítima de óbito.

Esta testemunha contou ao Pira Diário que foram recebidos pela médica dois irmãos da vítima acompanhados por um vereador em mandato. Em conversa a médica teria passado todas informações para a família do que havia acontecido. E de acordo os familiares se exaltaram alegando que houve muita burocracia para saber informações da vítima.

Por outro lado, segundo funcionários da saúde há um protocolo a ser seguido antes da liberação de um boletim médico, o que gerou insatisfação e a exaltação por parte dos familiares consequentemente teve-se princípio de tumulto no qual tiveram empurrões e xingamentos contra os funcionários daquela unidade.

Neste depoimento que relatamos hoje mostra-se que existem gargalos nos atendimentos em razão da pressão sofrida pelos servidores e falta de insumos, exames e outros que dependem das unidades de compra da administração pública.

Voltaremos nas próximas edições com mais depoimentos e apontamentos de erros e acertos, não emitiremos opiniões, apenas relatamos depoimentos de cidadãos os quais preservamos a fonte de informação nos termos da lei e da boa prática do jornalismo. Todos os depoimentos foram gravados e preservados em nossos casos de requisição judicial.






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